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Maria Montanha
Não tem alegria
E veste de negro
De noite e de dia
Que a vida não corre
Como pertencia

E vive consigo
Remoendo o mundo
E fica sozinha
Escrevendo e cismando
Pois nada acontece
Nem onde nem quando

Maria Montanha
Recusa de amor
Reclusa no tempo
Que o templo da vida
Nunca acontecida
Lhe causa estupor

E à noite, secreta,
Recomeça tudo
E avança para o escuro
E sobe à montanha
Cabelos ao vento
Boca de veludo

E sonha com o mundo
Diferente e distante
Que nunca haverá
Recitando ao vento
As canções do amante
Que nunca ousará

Maria Montanha
Maria distante
Maria mulher
Vestida de negro
De negro vestida
Para lá de Amarante

(trajecto Alijó - Riachos, 2000)

(letra e música de Pedro Barroso in "Crónicas da Violentíssima Ternura" 2001)